Minha filha desde muito cedo, gosta de
observar as coisas e fazer certas perguntas que nos provoca grandes reflexões
para chegar às respostas; como uma vez quando estava aprendendo sobre as formas
da matéria, então certo dia do nada veio com a seguinte pergunta “Pai, a luz é
sólido, liquido ou gasoso?”.
Ontem quando a família estava deitada; ela
sentada, encostada na parede com um olhar contemplativo, de repente indagou
“Por que eu sou uma pessoa?”, “Por que todo dia tenho que fazer alguma coisa
pra ser uma pessoa?”. Então lhe pedi para pensar em nossas diferenças em
relações aos animais, o porquê de os animais não serem pessoas e chegamos a uma
resposta juntos. Quando pensei ter o assunto por encerrado, ela levantou uma
questão tão profunda que eu me espantei, pois eu só me interroguei tal coisa
somente aos 14 anos de idade: “Como eu posso saber se realmente eu existo, e
não sou apenas uma história como um desenho ou uma série?”.
Como a gente pode saber se realmente existimos?
Essa é uma questão muito mais antiga do que a maioria pensa, enquanto muitos (ingenuamente)
acham que é uma novidade contemporânea advinda de filmes como Matrix, ela na
verdade já era pensada em nosso passado clássico como na Grécia antiga por Platão
(mito da caverna).
Mas a suma é que se uma criança de seis anos
pode se questionar sobre quão real sua existência pode ser; por que nós adultos
não podemos pelo menos nos indagar qual rumo estamos dando para ela? Não
precisamos ir fundo de nossa essência para saber se nossa vida é uma ilusão,
embora muitos realmente vivam em uma ilusão, sem a mínima noção do que é
existir; passam sua vivência apegados a coisas passageiras; não se preocupam
com os frutos de suas ações; sequer enxergam além das convenções; continuam
vendo as sombras dentro da caverna e acreditam que isso seja a realidade.
Não podemos passar longe de nossa essência
criativa, não devemos abandonar a consciência crítica e jamais esquecer de
nossa inteligência imaginativa; pois, estas coisas que é o que realmente faz
uma pessoa pessoa.
Por Rafael Arguelles
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