CRÔNICAS ELEITORAIS


Esse texto é uma obra ficcional, com breve base em fatos; não tem o caráter de denúncia, mas de reflexão. Apresenta e critica comportamentos errados e corruptos que acontecem de forma geral, não direcionando a qualquer pessoa; caso alguém se sinta ofendido, é porque, provavelmente, está praticando tais atos.

CRÔNICAS ELEITORAIS 3

O telefone tocou bem de noite, acordando quase todo mundo em casa, só quem continuou dormindo, foi meu irmãozinho menor. Levantei e fui pra sala, onde estava o papai e mamãe. Papai estava com uma cara branca ouvindo o telefone. Depois que ele desligou fez uma cara de preocupado, tipo, quando eu ou um dos meus irmãos tem que ficar internado no hospital.
Minha mãe ficou perguntando o que tinha acontecido, ela disse assim “Quem ligou nessa hora da madrugada”. Ele puxou uma cadeira e sentou; pediu pra ela esperar um pouquinho. Depois disse que alguém ligou falando assim: “Você está apoiando a pessoa errada, pode até não está preocupado com você, mas o que acontecer com você, pode acontecer com seus filhos”.
Minha mãe começou a chorar e disse pro meu pai, sair da campanha. Ele ficou meio chateado com ela, mas ela ficou pedindo pelo amor de deus. Eu fiquei assustado, meu irmão também, meu pai pediu pra nós irmos pro quarto, minha mãe foi também, porque o nenê começou a chorar. Antes de entrar, olhei meu pai sentado na cadeira, parado olhando pra nenhum lugar, acho que tava pensando, ou triste.
Eu não sei direito do que eles estavam falando; de apoiar, de acontecer comigo e meus irmãos, de campanha, ou o que é madrugada; só senti que era algo feio; demorei um pouco pra dormir, mas quando acordei, eu vi que papai tinha tirado as bandeirinhas coloridas que tinham na frente de casa e colocou de uma outra cor, não sei porquê.

Por Rafael Arguelles







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