FÁBULAS ETERNAIS - O GRANDE BENFEITOR


O GRANDE BENFEITOR

Certo homem vestido de um capuz preto e esvoaçante, vestindo por baixo um terno preto desbotado, de aspecto magro e pálido, sem nada de pelo em todo o copo bateu uma vez na porta de um homem rico. Primeiro foi atendido por seu empregado, mas explicou que só falaria com seu patrão um assunto de extrema importância, como insistiu tanto, o dono da casa o recebeu em eu escritório: – Qual assunto importante tens pra falar comigo?

E do misterioso ouviu a resposta em uma voz rouca e severa:
– Sou o espírito do egoísmo, posso não parecer como as pessoas esperam que eu seja, mas sou. Conheço sua história, desde criança nunca soube compartilhar nada, embora seus pais lhe ensinassem o correto, esperando que a maturidade lhe trouxesse mudança nas atitudes, você não mudou. Todo esse dinheiro e nunca comprou nada pra ninguém, sempre gastou consigo mesmo; aliás, tudo que conseguiu até hoje, com duro trabalho, não rendeu sequer um bombom de presente para a sua mãe. Sua fama de seu exclusivismo é tão grande que as pessoas consideram você, como o real retrato do egoísmo. Insulta-me ser comparado a um mortal, é por isso que vim matá-lo!
Como de alguma forma soubesse da veracidade e seriedade da situação, contra-propôs:
– Não faça isso agora! Dê uma chance de me redimir! Dê-me um mês e aprenderei a compartilhar.
– Faremos então assim, volto em um mês, se você aprender a essência do compartilhar, eu o deixarei viver. – então se levantou e foi embora.

No mesmo dia, o abastado varão organizou um jantar, que se realizou na noite posterior, onde anunciou a doação de uma vultosa quantia e uma obra social; logo após, comprou uma casa para seus pais; começou a distribuir presentes para todos os seus funcionários; começou a pagar as dívidas de conhecidos e até desconhecidos. A notícia da modificação de seus atos se espalhou por toda cidade, fazendo com que muitas pessoas o pedissem ajuda e ele cumpria com todas as petições que lhe faziam, até as mais esdrúxulas.

Ao completar um mês, viu surgir em seu escritório, saindo do meio de uma neblina espiralada, a figura de capuz preto, a personificação do egoísmo. Confiante o recebeu com um sorriso:
– Viste como eu me sai bem, hoje sou conhecido como um grande benfeitor, renomado por meu altruísmo!
E com um olhar melancólico o ente lhe deu sua última lição:
– O que faz o altruísta não é a fama, mas o saber compartilhar, que em sua essência é pensar em mais alguém além de si; tudo que você fez foi pensando somente em você, por isso no fundo no fundo, nada mudou...

Moral: A única coisa que o egoísta divide com os outros são os seus próprios problemas.

Por: Rafael Arguelles

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