E do misterioso ouviu a resposta em uma voz rouca e severa:
– Sou o espírito do egoísmo, posso não parecer como as pessoas esperam que eu seja, mas sou. Conheço sua história, desde criança nunca soube compartilhar nada, embora seus pais lhe ensinassem o correto, esperando que a maturidade lhe trouxesse mudança nas atitudes, você não mudou. Todo esse dinheiro e nunca comprou nada pra ninguém, sempre gastou consigo mesmo; aliás, tudo que conseguiu até hoje, com duro trabalho, não rendeu sequer um bombom de presente para a sua mãe. Sua fama de seu exclusivismo é tão grande que as pessoas consideram você, como o real retrato do egoísmo. Insulta-me ser comparado a um mortal, é por isso que vim matá-lo!
Como de alguma forma soubesse da veracidade e seriedade da situação, contra-propôs:
– Não faça isso agora! Dê uma chance de me redimir! Dê-me um mês e aprenderei a compartilhar.
– Faremos então assim, volto em um mês, se você aprender a essência do compartilhar, eu o deixarei viver. – então se levantou e foi embora.
No mesmo dia, o abastado varão organizou um jantar, que se realizou na noite posterior, onde anunciou a doação de uma vultosa quantia e uma obra social; logo após, comprou uma casa para seus pais; começou a distribuir presentes para todos os seus funcionários; começou a pagar as dívidas de conhecidos e até desconhecidos. A notícia da modificação de seus atos se espalhou por toda cidade, fazendo com que muitas pessoas o pedissem ajuda e ele cumpria com todas as petições que lhe faziam, até as mais esdrúxulas.
Ao completar um mês, viu surgir em seu escritório, saindo do meio de uma neblina espiralada, a figura de capuz preto, a personificação do egoísmo. Confiante o recebeu com um sorriso:
– Viste como eu me sai bem, hoje sou conhecido como um grande benfeitor, renomado por meu altruísmo!
E com um olhar melancólico o ente lhe deu sua última lição:
– O que faz o altruísta não é a fama, mas o saber compartilhar, que em sua essência é pensar em mais alguém além de si; tudo que você fez foi pensando somente em você, por isso no fundo no fundo, nada mudou...
Moral: A única coisa que o egoísta divide com os outros são os seus próprios problemas.
Por: Rafael Arguelles
Nenhum comentário:
Postar um comentário