Assim que o
cantar dos galos anunciava o dia, levantava-se o jovem virtuoso, para mais um
dia de trabalho como entregador de pães. Calçava suas meias e botas e saía às
pressas para distribuir pães às pessoas, o primeiro e sagrado alimento de todos
os dias. Ele caminhava as mesmas ruas como o de costume; e dava bom-dia com um largo
sorriso, a cada morador que comprava os seus pães, orgulhoso do que fazia se
sentia muito importante para aquelas pessoas.
Mas com sua
pressa e precisão o tempo passou; o jovem que distribuía pães se tornou
insatisfeito com aquele trabalho; passou a achar aquelas pessoas folgadas, sem
coragem para ir até a padaria mais próxima para comprar o próprio pão de cada
dia. Começou a sentir-se usado; a pensar nas horas de sono que teria perdido
enquanto as outras pessoas dormiam sonhando com os pães quentinhos que logo
chegariam. O jovem entregador decidiu continuar o trabalho até enquanto
precisasse dele. E foi então que a situação tornou-se um pesadelo quando ele imaginava
que na manhã seguinte deveria entregar pães novamente.
Assim o jovem
entregador de pães perdera o ligeiro acordar, o largo sorriso e o bom-dia
saudoso. Parou com seu entusiasmo de alimento sagrado. Quando um dia caminhava
com sua cesta; um homem lambungo lhe atacou para pegar os pães. Apavorado, o
jovem lhe revidou com socos e ponta pés, até que o homem caísse desmaiado. Foi
aí que o jovem voltando-se à sua cesta vê duas crianças que lhes perguntam: -
Você matou nosso pai?
- Não! Não
matei. Ele é pai de vocês?
- Sim. E ele só
queria os pães para nos alimentar. - disse uma das crianças.
- E porque ele
não me pediu?
- Todos os dias
ele pede, mas você não o ouve. - respondeu chorando a caçula.
O jovem
percebeu naquele instante que tudo que havia sido, até então, era vaidoso e
egoísta, quando pensou ser importante demais; no momento que só pensou em si
mesmo; quando decidiu trabalhar somente pela sua necessidade. Compreendeu a sua
verdadeira importância de levar o alimento sagrado a todos que precisam. Foi então
que toda sua virtude renasceu. E o jovem passou a dedicar-se por inteiro a sua
missão.
Por: Civaldo Rodrigues

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