O ARTISTA RECONHECIDO


O ARTISTA RECONHECIDO

Não queira que o artista bata cartão,
Pois não produz como indústria.
Pare ideias pelo ócio criativo,
Doa energia vital
Que o abaterá por alguns dias...

Você faz versos e prosas?
Modela ou esculpe?
Encena ou dança?
Critica ou reinventa?
Transforma lugares?

Liberdade e criação,
Contrato e remuneração,
Calor humano...
São condições favoráveis
Para que as obras falem.

O mundo padronizado
Sem cor, movimento, forma, letra, sons, oxigenação
É puro dissabor.

O artista rompe, se inspira,
Reinventa,
Trabalha arduamente.
Em seu ritmo natural
É pesado pelo seu ofício.
Belo, sofrido, paradisíaco, instável e eterno.

– Olha o louco!
– Olha o esmoléu!
– Olha o hippie!
– Olha o velho!

– Vocês conseguem transcender?

Desnudam-se dos rótulos!
Farejem a essência vital.

Não tolha o artista.
Ele é criatura e criador.
Adube a terra em que ele cresce.
E o retorno...
Será o alimento de nossas existências.

Alícia Noleto




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