O PROFETA


O PROFETA

O velho levanta a voz
Sua barba longa de onde os fios descem em uma trama como cipós na mata;
Sua túnica outrora branca, hoje suja de poeira e mácula,
Reflete a própria mensagem que se tornou.
Seu cajado que demonstrava poder,
 Acabou se reduzindo a mero apoio de suas cansadas pernas.
Mas isso não o impede de bradar:
“O dia vem! O Dia vem!”

Contudo, ninguém lhe dá atenção.
Cada um tem seu próprio profeta hoje em dia.
E sozinho entre os quatro cantos de uma praça anuncia:
“Aonde vamos chegar? Não percebem que perdemos o rumo?
Duas castanheiras estão postas, elas estão de testemunhas contra nós!
E vai chegar o dia que teremos de prestar conta,
Do mal que fizemos, em mal retornará para nós!
Precisamos mudar, precisamos nos preparar!
Ouçam! Ouçam!”

Mas parece que ninguém tem ouvidos,
Continuam andando e ignorando.
Ele abaixa a cabeça.
Fica triste.
E sai...

Não! Ele não sai!
Quando ele vira em partida, percebe um pequeno grupo de pessoas sentado na relva.
Estavam escutando sua mensagem.
Quem são?
São artistas...
São poucos, mas os oráculos lhe trazem uma visão.
São sementes que começarão uma floresta.

Então, o velho se torna mais jovem, sua barba escurece, suas roupas clareiam e seu bordão
Começa a brilhar.


Por Rafael Arguelles

Nenhum comentário:

Postar um comentário