O
DISCURSO DO REI
No dia de sua coroação o rei proclamou que
seu reinado era pra todos, desde o homem de nobre estirpe até o mais simples
dos aldeões, seria misericordioso nas ações e justo nas leis, receberia a todos
que precisassem em audições, ouviria suas queixas e trataria dos assuntos de
forma igual tanto para ricos como para pobres. Mandou escrever seu discurso e
por em um poste na praça central da cidade, para que todos vissem.
Com o passar dos anos caiu sobre aquela terra
grande fome, os aldeões foram os primeiros a sentir suas consequências, por
conseguinte, os primeiros a requerer uma audiência com o rei; então foram
procurar pelos ministros que explicaram que o rei estava muito ocupado com a
crise e tinham o poder de ouvir e agir em nome dele. O povo foi então orientado
a trabalhar mais para suprir os encargos de tributos, que seriam revertidos
para a solução do problema.
Logo após, os nobres preocupados foram em
busca de seu líder, e também consultaram os mesmos ministros que proclamaram as
mesmas coisas, e acrescentaram que eles confiavam muito de suas riquezas,
deveriam ser mais desprendidos e contribuir com mais recursos aos tributos, e
que logo tudo seria resolvido. Porém com o tempo, a piora da situação, a falta
de solução e a mesma lenga-lenga dos ministros, criou-se um estado de
insatisfação geral, eclodindo em um levante contra o reinado.
A multidão chegando ao pátio do castelo foi
recebida por um exército de extremo preparo marcial e se viu rendida. O rei
chegando ao balcão perguntou qual a razão da revolta e os líderes do movimento
explicaram tudo que vinha acontecendo e como os ministros agiam em seu nome.
Reportando-se a todos proferiu novo discurso:
– Muitos podem falar em meu nome, contudo,
jamais contrariar o que eu disse. O povo deve sempre ser orientado a me
procurar em qualquer situação. E o povo? Porque foram primeiro com os ministros?
Acaso minha porta estava fechada para não recebê-los? Minha porta estava sempre
aberta. Estranho vocês não virem a mim, mesmo estando isso escrito em lugar
acessível para quem quiser ler...
Moral:
Devemos nos guiar pelo que o rei deixou escrito e não pelo que dizem em nome
dele.
Por: Rafael Arguelles

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