A
RAINHA DO VALE
Era sabido que a rainha governava dando
muitas regalias a seus súditos, o povo de seu vale não conhecia pobreza e do
alto do luxo sentiam muito orgulho por sua vassalagem premiada, sendo que
muitos eram tão deslumbrados que chegavam a tratar à soberana como uma
verdadeira deusa.
Porém, como pouca coisa neste mundo é de
graça, tal esplendor de vida tinha seu preço; para ostentar muita riqueza no
reino, a monarca exigia que o trabalho em suas minas de ouro e pedras preciosas
fosse constante; exigia uma dedicação devocional dos que trabalhavam em todo o
processo (desde a extração até a comercialização).
A praxe era que seus trabalhadores, por
longos períodos, deixavam o contato de suas famílias, entregando-se a labuta como
que a um vício; quando iam para casa, era breve o tempo que passavam lá. E para
aplacar a necessidade afetiva que é inerente e concomitante a todo ser humano,
se entregavam a práticas imorais e destrutivas como: adultérios, orgias,
bebedeiras, farras... Enquanto em seu lar, sua ausência tentava ser suprida
pelo conforto.
Ao perceber isso, certo homem arrumou suas
coisas e resolveu ir embora; seu companheiro de trabalho indignado lhe
criticou:
– Como podes deixar assim o trabalho para a
deusa?
– Ela pode nos governar, mas não é nenhuma
deusa e nós não somos escravos; podemos sair em busca de coisas muito mais
importantes.
– O que tem mais importante do que trabalhar
para possuir todo esse luxo?
– Trabalhar é uma necessidade, colher seus
frutos é bom; mas não devemos confundir: o conforto é consequência e não a
finalidade do serviço.
– Quer dizer que agora não ligas mais para o
ouro nem para as pedras preciosas? – Retrucou em tom jocoso.
– Meu ouro são os sorrisos de meus filhos,
minhas pedras preciosas é o brilho nos olhos de minha esposa! – Deu um sorriso
e saiu.
Após dias de viagem, ao ver de longe uma
linha quase sem horizonte, por ser cortada pelas curvas dos montes, pode
avistar a sua casa – seu lar. Não se preocupou no que trabalharia de ali por
diante, se em comércio, se em campo ou em outra mina; não tinha tempo agora para
isso nem atenção, pois estava maravilhado em vislumbrar o seu maior tesouro.
Moral: Há certos
aspectos e valores da vida que não devem ser traídos ou trocados, nem pelos
piores interesses, nem pelas melhores intenções.
Por: Rafael Arguelles

verdade!!! temos que ter prioridades na vida, família acima de tudo...
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